Como ultrapassar o Síndrome do Impostor

Como ultrapassar o Síndrome do Impostor

Recebes um pedido de trabalho. O cliente está interessado nos teus serviços e até paga um valor simpático. Aceitas, mas uma voz na tua cabeça começa a dizer-te que não és capaz, que não vais conseguir. Soa familiar? Então, é bem provável que estejas a lidar com o Síndrome do Impostor.

Não ser capaz de corresponder às expectativas é um medo bastante comum – muito mais do que o medo das alturas ou de aranhas, por exemplo. Enquanto mães, estamos bastante acostumadas a esta sensação de estar constantemente a falhar. Afinal, quem nunca se sentiu uma péssima mãe que atire a primeira pedra.

Este medo de não ser capaz de entregar um trabalho ou prestar um serviço de acordo com o esperado pode ser um verdadeiro veneno, paralisando a tua veia criativa e produtiva e impedindo-te de conquistares os teus objetos. O medo tem um nome e chama-se Síndrome do Impostor. O termo foi criado nos anos 70 e carateriza o sentimento permanente de fraude. 

Quantas vezes já disseste a ti mesma “eu não sou suficientemente boa para fazer isto” ou “eu não posso cobrar tanto por um serviço, não tenho experiência suficiente”?

Os efeitos do síndrome do impostor

Quase todos os profisisionais experimentam este sentimento, alguma vez na vida, e eu não sou exceção. Já trabalhava há alguns anos quando comecei a sentir que o valor que colocavam no meu trabalho não era justo. Sentia que sobrevalorizavam aquilo que eu fazia. Não era falsa modéstia, era mesmo uma certeza interna de que, a qualquer altura, alguém ia parar, olhar para o meu trabalho e encontrar todas as falhas que eu sabia (ou achava) que tinha.

Claro que isto nunca aconteceu. Mas fez com que a qualidade do meu trabalho diminuísse consideravelmente. Por me colocar constantemente em causa, eu paralisei. Perdi a criatividade. Estava tão obcecada em não ser descoberta que todo o trabalho que produzia era medíocre.

Foi quando uma colega me apresentou o conceito de Síndrome do Impostor. Comecei a pesquisar sobre o assunto e tudo fez sentido.

Como ultrapassar este Síndrome? 

Se já te sentiste uma fraude como eu, relaxa, não estamos sozinhas. Atores, empresários, escritores… É difícil encontrar alguém que tenha sucesso e que não se tenha posto em causa, um dia. 

A Maya Angelou, escritora norte-americana que ganhou um Prémio Nobel, disse um dia:

Tenho 11 livros editados, mas de cada vez que escrevo um novo penso “é desta vez que me vão desmascarar. Eu enganei toda esta gente e eles vão descobrir!”

É perfeitamente natural que haja momentos em que te sentes menos segura. O problema surge quando a Síndrome do Impostor te impede de avançar. Quando ficas estagnada por culpa do sentimento de fraude.

Ao perceber que sofria deste síndrome, fiz algum trabalho interior para deixar de estar presa a esta sensação de que estava a falhar e poder continuar a produzir e evoluir. Deixo-te algumas dicas que funcionaram comigo.

Pára de te comparar com os outros

Faço isto com demasiada frequência. Se a comparação pode ser saudável de vez em quando, levando-te a querer fazer mais e melhor, a comparação em demasia pode destruir a tua confiança. Afinal, já tudo foi feito e há sempre alguém que faz melhor.

Tu não precisas de ser a melhor do teu ramo. Se chegares lá naturalmente, ótimo. Mas não tens essa obrigação. Até porque cada profissional é único. Tal como na vida privada, na vida profissional somos o resultado de todas as experiências, frustrações e conquistas que acumulamos. E ninguém tem o mesmo background. Não há dois profissionais exatamente iguais.

Se sentes que a comparação te está a paralisar, faz uma pausa. É importante estarmos atentas ao que é feito na nossa área, mas demasiada informação pode ter um efeito contrário ao que se pretende. Foca-te no teu trabalho e ignora temporariamente oque te rodeia.

Aposta na formação

Se achas que não és suficientemente boa, trabalha para o ser. Há duas formas de alcançarmos a excelência: estudar e trabalhar. Aprender mais pode ser o suficiente para te dar confiança nas tuas capacidades. Para além do mais, é importante estar em constante aprendizagem. O mercado de trabalho, mais do que nunca, precisa de profissionais em constante aprendizagem. 

Quanto mais formação tiveres e mais aprenderes, mais segura das tuas competências estarás.

Expõe as tuas fraquezas

Diz o que te vai na alma. Mas não te fiques pelo “eu não sou assim tão boa”. Algo que me ajudou muito foi falar com colegas da área e expor as minhas fraquezas. Explicar aquilo em que achava que estava a falhar. Ouvir as suas opiniões sobre o meu trabalho não só me ajudou a ganhar confiança como me fez perceber onde poderia melhorar.

Optei por ser transparente com os clientes, também. Sempre que sentia que um determinado trabalho não estava como queria, era a primeira a pedir uma crítica construtiva e a disponibilizar-me para o alterar. Alguns apontaram-me falhas, outros realçaram as minhas qualidades. Ao expor as minhas fraquezas, tornei-me mais forte. 

Regista os elogios

Esta dica vem do livro Roube como um Artista. Nela, Austin Kleon conta que tem um “arquivo de elogios”, um local onde guarda mensagens e emails que recebeu a elogiar o seu trabalho. Este arquivo pode ser uma fonte de alento nos dias em que te sentes mais em baixo.

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